FORMAÇÃO CONTINUADA DE EDUCADORES

A ESCOLA DO TRABALHO E A INCLUSÃO DE CAMPONESES

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DOI:

https://doi.org/10.31512/vivencias.v22i45.1852

Abstract

Discute-se, neste artigo, a formação continuada de educadores(as) do campo na perspectiva de uma educação emancipadora, tendo por referência o processo de inclusão dos camponeses no ambiente escolar. Parte-se do princípio de que sem uma proposta educativa contra-hegemônica não é possível a construção de uma escola que coaduna efetivamente para a formação alinhada à transformação social, pois quem detém o controle do currículo e da forma escolar é a classe que detém o poder e explora os(as) trabalhadores(as) de modo geral. Buscou-se, a partir de pesquisa documental e bibliográfica, sistematizar a experiência da Escola Itinerante do Paraná enquanto uma proposta educativa que contribui para a construção de uma pedagogia voltada à formação do Sem Terra. Ressalta-se a importância do estudo de experiências educativas vivenciadas pelos movimentos sociais que geram tensionamentos na hegemonia burguesa e constroem formas de organização escolar com base no trabalho como princípio educativo, na participação direta dos estudantes e da comunidade e no estudo da realidade, capazes de ampliar a consciência política crítica para a incidência direta sobre a realidade. A inclusão dos povos do campo na escola pública, que contribui para a transformação da forma escolar capitalista, e a possibilidade de construção de processos de formação de educadores(as) pautados pela perspectiva contra-hegemônica são dois elementos que resultam da pesquisa e ganham centralidade na análise empreendida.

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Pubblicato

2026-03-03

Come citare

Hammel, A. C., & Silva, J. Z. da. (2026). FORMAÇÃO CONTINUADA DE EDUCADORES: A ESCOLA DO TRABALHO E A INCLUSÃO DE CAMPONESES. Vivências, 22(45), 259–278. https://doi.org/10.31512/vivencias.v22i45.1852

Fascicolo

Sezione

Formação Docente e Inclusão: Saberes, Práticas e Desafios na Contemporaneidade