DOCENTES UNIVERSITÁRIOS E A ORIENTAÇÃO DE ACADÊMICOS PARA ATUAÇÃO EM CONTEXTO DE INCLUSÃO
DOI:
https://doi.org/10.31512/vivencias.v22i45.1857Resumo
Este estudo insere-se na temática da formação docente no ensino superior e tem como objetivo analisar as concepções que sustentam a práxis dos professores universitários quando orientam seus acadêmicos para atuarem em contextos inclusivos. Na formação inicial, as discussões sobre inclusão, diferença e diversidade humana ainda se configuram como elementos periféricos às práticas dos docentes universitários, o que se justifica pela incipiência desses temas nos currículos dos cursos de licenciatura. As análises teóricas e de campo sustentam-se no argumento de que, se a sociedade proclamada nos documentos legais é inclusiva, tal concepção não pode restringir-se a discussões duais entre especialistas e professor de ensino comum. Considera-se essas temáticas devem perpassar todo o processo formativo nas diferentes disciplinas que compõem os cursos de formação docente. A pesquisa fundamentou-se nos princípios da atividade docente e foi delineada pela metodologia bibliográfica narrativa e de campo, com coleta de dados realizada por meio de entrevistas estruturadas. O instrumento incluiu uma situação contextual de sala de aula, seguida da questão sobre como os professores orientariam o acadêmico para atuar diante da situação proposta. Os dados, produzidos por cinco docentes participantes, foram tratados com base na análise temática. Os resultados revelam que as concepções que embasam a práxis docente se sustentam, fortemente, em discursos de caráter assistencialista, determinista e biologicista no contexto de 2015 evidenciando-se alterações em 2024, com vistas à desconstrução de visões pré-estabelecidas sobre a pessoa com deficiência que reforçavam dicotomias entre o normal e o anormal, especialista e não especialista.
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